Xilogravura no Solar do Barão

De volta a Curitiba depois da viagem ao planeta Japão eu fui diretamente ao Solar do Barão para me inscrever no ateliê de xilogravura. Sempre quis fazer xilo, desde que descobri o cordel e obras maravilhosas de mestres como o inigualável J. Borges. jborges

O primeiro tema no qual trabalhei foi Japão-Brasil. O Japão tinha me marcado e eu não conseguiria trabalhar com algo que não fosse ligado à minha viagem. Como viagens implicam também a saudade e quando eu morei por aí tive muita saudade da araucária, o tema logo ficou claro, Japão-Monte Fuji e Brasil (o meu neste caso)-Araucária.

Espiem a galeria abaixo e vejam o que xilogravei com o Monte Fuji e as Araucárias. Não gostei de tudo o que fiz mas o importante é não ter medo de fazer, quanto mais se faz mais se aprende e mais ideias surgem.

Acho que eu poderia ficar em qualquer lugar do mundo com o coração em paz se eu pudesse olhar pela janela e ver minhas araucárias...

 

Primeiro tecido de pinhão

Agora que o meu pinhão já declarou seu amor por Curitiba ele vai virar estampa de tecido. Este foi o rapport pinhas feito no Photoshop. Para copiar o pinhão ao redor de um círculo eu segui este tutorial Illustrator no Metapix.

modulo-pinhao

 

Mandei fazer o tecido, foto abaixo, no site Panólatras mas quando recebi percebi que quase não dava para ver a linha branca no meio de cada pinhão, ela era muito fina. Fazendo e aprendendo, este é meu lema, da próxima vez eu aumento ela.

tecido-pinhao

 

Decidi fazer lenços com ele, um para mim é lógico e os outros para dar de presente, um deles até foi para o Japão. A primeira de muitas viagens que fará meu pinhão!

Abaixo ilustrações feitas à partir de fotos minhas em técnica mista, nanquim, aquarela e colagem sobre Canson Montval Aquarelle.

lenco-pinhao-1

lenco-pinhao-2

 

Meu pinhão

O pinhão em Curitiba não está só nas festas juninas ele também está nos painéis de Poty e nas calçadas de petit pavê. Ele faz parte da cidade e da vida dos curitibanos assim como fez e faz parte da minha desde que nasci, mesmo durante os longos anos que passei fora do Brasil ele sempre me acompanhou, um vaso cheio deles estava sempre por perto para acalmar a saudade da terrinha quando ela apertava. Assim sendo foi naturalmente que tive o desejo de desenhar o meu pinhão e com ele desenhar superfícies por aí afora. Foto - Brunno Covello/Gazeta do Povo

Pinhao_Brunno_Covello

Parti das proporções da imagem abaixo que encontrei aqui para criar o meu desenho.

pinhao-geometrico-lange

Segui o tutorial Illustrator do Metapix, Desenhando formas simétricas, e como comigo sempre acontecem coisas bizarras, na hora de fazer a simetria do pinhão tudo saiu totalmente diferente do que deveria, porém, eu adorei o resultado. Criei algo que nem sequer tinha imaginado. Nunca mais consegui reproduzir o mesmo erro, mistérios do Illustrator... ou seriam Mistérios de Curitiba?

pinhao_simetrico

Nos próximos posts vocês vão ver onde ele já foi parar.

 

Quadrinhos - Cidade Sorriso dos Mortos Vivos

A Cidade Sorriso dos Mortos Vivos é uma coletânea de histórias de vários artistas curitibanos sobre a invasão de Curitiba pelos mortos vivos. Como vocês já leram aqui, eu adoro projetos que valorizam a cidade e as pessoas que nela habitam, neste caso, que nela tentam sobreviver à invasão. Além de gostar deste tipo de iniciativa também sou fã do gênero zumbi, então, não poderia ter deixado este excelente álbum fora da minha biblioteca. capa-cidade-sorriso-dos-mortos-vivos

Vindo de pessoas extremamente criativas,como o Antonio Elder e o Walkir Fernandes eu nem sei por quê me surpreendi ao receber o álbum e ver um zumbi me agradecendo no envelope e numa folha A4 que encontrei dobrada na primeira página. Surpresas assim são sempre bem vindas e inspiradoras!

Como é que um morto vivo usando cachecol estampado de pinhões não iria inspirar minha jornada exploratória de superfícies? Nos próximos posts vocês verão estampas de pinhões pra todo lado!

Minha primeira contribuição com um projeto no Catarse

Aqui vou falar sobre o primeiro projeto que colaborei numa plataforma de financiamento coletivo, o Catarse. O projeto do André Caliman era o de publicar uma história em quadrinhos ambientada em Curitiba chamada Revolta. Achei legal incentivar artistas que além de serem curitibanos, falam de Curitiba na sua arte. A recompensa foi o quadrinho Revolta autografado e eu desenhada em estilo HQ.

capa-revolta-caliman

Claudia-revolta

Que tal eu desenhada pelo André em pose de revolta acompanhada, logicamente, pela minha querida Araucária?

Estampa sublimada sertão nordestino

Depois de falar de MOOCs e financiamento coletivo de projetos, volto para falar do último projeto do curso de design de superfície. Neste projeto de almofadas o tema era livre mas teríamos que mandar fazer as impressões por sublimação. Decidi continuar no tema sertão nordestino para ter uma pequena coleção de decoração pois as minhas luminárias estavam se sentindo sós.

Vou explicar um pouquinho o que é a sublimação. Ela consiste em um método onde o desenho, estampa impressa com tinta sublimática num papel é transferida para um tecido, que precisa conter no mínimo 70% de poliéster, através da aplicação de pressão e calor que causam a sublimação da tinta, passando assim o desenho, estampa, para o tecido.

Estes foram os três módulos que criei para as três almofadas. Desta vez fiz todo o desenho no Illustrator e depois criei os módulos no Photoshop seguindo os tutoriais do Metapix. Para contrastar com as estampas criadas para as luminárias que eram bem orgânicas fiz elas totalmente gráficas.

O primeiro módulo é uma representação das cercas do sertão, nesta hora me lembrei das imagens do filme Eu, Tu Eles; o segundo eu quis representar o solo rachado do sertão e durante o processo achei ele com cara de sol, como o chão racha por causa do sol, eu decidi deixar assim e chamá-lo de SOLo, minha mãe achou com cara de aranha mas como eu explico aqui, o que importa é desenhar. O terceiro pode se ver facilmente que são cactos.

modulos-sublimacao-sertao

Mandei fazer as almofadas na Studio Make aqui em Curitiba mas como eu não poderia deixá-las sem pelo menos um pequeno toque feito à mão, eu resolvi colocar um detalhe em volta delas. Primeiro tentei bordar elas com o mesmo ponto haste usado aqui mas não deu certo então, minha mãe sugeriu fazer algo em crochê e depois pregar nas almofadas. Ela me ensinou a fazer o ponto correntinha e eu fiz uma cordinha que depois costuramos nas almofadas.

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Detalhe da correntinha.

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Estampa manual navy

Este projeto lançado no curso teve como tema o navy e o objetivo era criar somente a estampa. O navy foi introduzido no mundo da moda pela Coco Chanel. Ela se inspirou na camiseta marinière usada pelos marinheiros franceses no começo e depois adotadas pelos pescadores e negociantes de peixes na região norte da França.

Quando comecei a pensar na minha estampa navy quis agregar a ela algo bem típico do nosso Brasil e a primeira coisa que me veio na cabeça foi a jangada e ela não vem só na minha cabeça quando se trata de inspiração. Aqui já que estamos falando da França, de jangada e de inspiração, não posso deixar de mencionar um dos livros do Jules Verne cujo nome é A Jangada 800 léguas pelo rio Amazonas ele é a prova que uma jangada inspira e leva a muitas aventuras. Espero que as minhas jangadinhas aí embaixo se aventurem por muitos caminhos!

Este é o módulo que criei.

modulo-navy

As aventuras delas vão começar aqui pois como não consegui ficar sem criar algo com esta estampa, mandei fazer uma ecobag sacolaECO com a Talita da La Zorayde. Além das criações dela, a Talita também torna seus projetos realidade. Mais tarde fiz eu mesma o porta garrafa que vi pela primeira vez no Japão. A técnica utilizada na estampa foi pintura com caneta para tecido. No porta garrafa eu quis adicionar um elemento manual que sempre achei lindo, o bordado. Como nunca bordei, escolhi um ponto simples, o ponto haste, para fazer as linhas vermelhas. Demorei um tempão pra fazer mas eu adorei o resultado.

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Detalhe do bordado em ponto haste.

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Estampa manual cinema

Outro projeto lançado no curso foi a criação de dois jogos americano com o tema cinema. Eu não poderia ter escolhido outro filme senão "O Menino e o Mundo", leia aqui o post sobre o filme e entenda por quê. Quanto mais eu pensava nas imagens, quanto mais eu via as ilustrações mais eu me perguntava como conseguiria fazer algo que lembrasse o filme sem  simplesmente reproduzir o que vi. O elemento central do filme é o menino e a primeira imagem que vem na minha cabeça quando se fala desta animação é o menino, então decidi trabalhar as estampas em torno dos elemento que compõem o desenho dele.

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Abaixo vocês podem ver como usei os elementos do menino para compor minhas estampas. Por favor não me condenem por ter despedaçado o menino! Vocês podem ver os dois módulos que escolhi trabalhar e encontrar elementos como os olhos, o cabelo, o shots, a mão e as bochechas do menino compondo cada desenho.

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Decidi fazer um jogo americano, duas porcelanas e um cestinho de pão.

As estampas que fiz no tecido foram com canetas para tecido. Nas louças usei canetinhas para cerâmica e posso afirmar que não foi fácil. Tentei desenhar normalmente mas não gostei do resultado especialmente quando trabalhava em detalhes pequenos, então, resolvi tentar a técnica do pontilhismo. Gostei muito do resultado mas o trabalho foi difícil e demorado. Espero que vocês gostem.

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O começo do Design de Superfície

Depois de ler e me encantar pelo assunto Design de Superfície me inscrevi num curso aqui em Curitiba nesta área. Meus desenhos vão começar a virar Design de Superfície!

Nosso primeiro trabalho foi uma cúpula de abajur com tema livre e técnica de estampa manual. Escolhi o sertão nordestino como fonte de inspiração para começar a criar e depois de alguns testes optei pelo uso da caneta para tecido.

Gralha-cancã e cactos

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Minha gralha-cancã foi chamada de pinguim e pavão pelos meus amigos mas isto não me desanimou só me deu mais e mais vontade de continuar desenhando e criando mais e mais pinguins que não são pinguins, pavões que não são pavões e gralhas-cancã que não se parecem com gralhas-cancã mas são as minhas gralhas-cancã.

Falando em não se desanimar quando desenhamos, um ótimo livro que se encaixa no assunto é o Drawing and Painting Imaginary Animals da Carla Sonheim e a primeira coisa que ela diz é : "Existe mais de uma maneira de desenhar um gato" e seguem quatro páginas de desenhos de gatos, alguns com cara de cachorro outros de coelho e outros de gato mas todos são gatos que nasceram dos seus traços e é isto que importa.

Desenhem, desenhem e desenhem sem medo!

 

O Menino e o Mundo

O Menino e o Mundo foi um outro incentivo ao desenhar. Este filme de animação dirigido por Alê Abreu utiliza traços simples e representações lúdicas do mundo em que vivemos para transmitir uma mensagem crítica sobre nossa sociedade atual de forma extremamente poética. Ele me encantou, me surpreendeu e me incentivou a desenhar, desenhar e deixar que os desenhos me levem a aventuras tão encantadoras quanto a deste filme. Leiam a crítica de Bruno Carmelo no Adoro Cinema se quiserem descobrir mais sobre este maravilhoso filme de animação brasileiro.

Assistam. assistam, assistam e inspirem-se!

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Falando em inspiração achei ótima esta campanha que eles lançaram pelo Facebook:

"Na compra de uma arte original do filme O MENINO E O MUNDO você leva 50 crianças de escolas públicas para assistirem ao filme no projeto ESCOLA NO CINEMA".

Eu fiquei felicíssima em participar adquirindo a arte abaixo. Técnica mista, desenho e colagem. ADORO!

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